BOLETIM TÉCNICO MERCATO - M-BT003-26

Criada por Diovane Martins Machado, Modificado em Qui, 14 Mai na (o) 9:47 AM por Diovane Martins Machado

Subsistema de Sombreamento e Fachada Ativa (Cortinas) - Integração com controladores da linha ClimatePRO


05 de maio de 2026


1. Objetivo 


Este documento estabelece as diretrizes técnicas para a implementação do subsistema de sombreamento motorizado em residências de alto padrão. A estratégia central baseia-se no conceito de Fachada Ativa, onde o controle solar não é apenas um elemento estético, mas uma variável crítica da eficiência energética. O objetivo é a integração total com a linha de controladores ClimatePRO da Mercato, permitindo que o sistema de automação atue de forma preditiva, ajustando a posição das cortinas para reduzir a carga térmica por radiação solar e, consequentemente, otimizar o consumo de energia.


2. Diretrizes de Integração Digital (Protocolos)


A integração entre os motores de sombreamento (cortinas) e o controlador ClimatePRO deve priorizar a comunicação via protocolos abertos, garantindo bidirecionalidade, controle proporcional e diagnósticos em tempo real.

2.1. Integração via BACnet/IP e Modbus TCP

Para sistemas distribuídos via rede Ethernet, a comunicação será realizada através de BACnet/IP. O controlador ClimatePRO atuará como cliente, lendo e escrevendo em objetos de rede que representam a posição percentual (0-100%) e o status de cada motor. Esta arquitetura exige a instalação de gateways de tradução de protocolo próximos aos motores ou em quadros de automação centrais.

2.2. Integração via Modbus RTU (Serial)

Em zonas onde o cabeamento estruturado é limitado, será utilizado o barramento RS-485 com protocolo Modbus RTU. Cada interface de motor será endereçada como um slave no barramento, permitindo o controle de múltiplos dispositivos através de um único par trançado blindado conectado à porta serial do ClimatePRO.

2.3. Gateways de Conversão de Sinais

Visto que a maioria dos motores de alto padrão utiliza protocolos proprietários (SDN, QS, PowerView), é obrigatória a especificação dos seguintes gateways para conversão em protocolos abertos:

Fabricante

Interface de Integração

Protocolo de Saída

Somfy

Somfy Connect BMS Interface

BACnet IP / Modbus RTU

Lutron

Processador Athena / HomeWorks

BACnet IP (Nativo)

Nice

Interface BiDi-Modbus

Modbus RTU

Hunter Douglas

PowerView Pro Gateway

BACnet IP


3. Especificações de Infraestrutura Lógica e Elétrica


A infraestrutura deve ser preparada para suportar tanto a integração via protocolo quanto o acionamento por contato seco (redundância ou sistemas simplificados).

3.1. Detalhamento do Cabeamento (Cenário de Pior Caso)

Para garantir a compatibilidade total com motores DCT (Dry Contact Technology) e o monitoramento completo pelo ClimatePRO, cada ponto de cortina deve prever um cabo de controle de 6 vias (mínimo 22 AWG) com a seguinte distribuição:

  • Comando (3 Saídas Digitais - DO): 1 via para Abrir, 1 via para Fechar, 1 via para Comum (Stop/GND).
  • Feedback (3 Entradas Digitais - DI): 1 via para Status Aberta (Fim de curso), 1 via para Status Fechada, 1 via para Alarme/Obstrução.

3.2. Requisitos de Rede e Barramento

Para as opções de integração digital, os seguintes requisitos devem ser observados no projeto executivo:

  • Gateways IP: Ponto de rede Ethernet (Cat6) com terminação RJ45 fêmea, preferencialmente com suporte a PoE (Power over Ethernet) quando disponível.
  • Barramento Serial: Cabo blindado de par trançado (STP) 2x22 AWG, com impedância de 120 Ohms, para interconexão dos dispositivos Modbus RTU em topologia de barramento (Daisy Chain).


4. Seleção de Motores e Interfaces Homologadas


Abaixo, listam-se os modelos que atendem aos critérios de durabilidade, baixo ruído e capacidade de integração exigidos para o empreendimento.

4.1. Somfy

  • Modelos: Sonesse 40 DCT, Sonesse 50 DCT, Glydea Ultra (Trilho Motorizado).
  • Interface: Somfy Connect BMS Interface (Trilho DIN).

4.2. Lutron

  • Modelos: Sivoia QS Roller, Sivoia QS Roman, Sivoia QS Kirbé.
  • Interface: Processador Athena ou HomeWorks QSX (Integração via BACnet/IP).

4.3. Nice

  • Modelos: Era Inn DCT, Era Inn Edge, Era Inn Smart.
  • Interface: Módulo BiDi-Modbus (Conexão direta ao motor).

4.4. Hunter Douglas

  • Modelos: PowerView Roller, PowerView Duette, PowerView Silhouette.
  • Interface: PowerView Pro Gateway (Suporte a BACnet/IP).

4.5. Persol

  • Modelos: Persianas Técnicas e Toldos Motorizados.
  • Interface: Motorização nativa DCT ou Digital (conforme especificação de projeto).


5. Sequência de Operação e Comissionamento


A lógica de automação será processada pelo controlador ClimatePRO seguindo os critérios abaixo:

5.1. Lógicas de Automação

1. Sun Tracking: Ajuste da inclinação das lâminas ou altura da tela com base no azimute e elevação solar para maximizar a luz natural sem incidência direta de calor.

2. Modo Economia: Fechamento total das fachadas expostas ao sol quando o ambiente estiver desocupado e o sistema de climatização estiver em modo Setback.

3. Proteção de Ventos: Abertura automática de toldos e persianas externas caso o sensor anemômetro detecte rajadas acima de 40 km/h.

5.2. Critérios de Aceitação Técnica (Comissionamento)

O sistema será considerado homologado após a validação de:

  • Nível de Ruído: Medição em campo não deve exceder 40dB(A) a 1 metro de distância.
  • Sincronismo: Motores em uma mesma fachada devem iniciar e terminar o movimento simultaneamente (alinhamento de hem).
  • Validação de Status: Confirmação de que o estado "Fechado" no supervisório corresponde à posição física real da cortina.

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